quinta-feira, 3 de abril de 2025

O PALÁCIO DE GELO, de TARJEI VESAAS | DOM QUIXOTE


 A obra-prima do lendário escritor norueguês, uma história intensamente lírica sobre as angústias e paixões do fim da infância, a devoção à amizade e à memória.


Numa paisagem fabulosa moldada pelo gelo, no coração do interminável outono norueguês, um vínculo especial emerge entre duas meninas de onze anos. Siss é popular, a líder entre os colegas da escola. Unn, recém-chegada à aldeia, é solitária, tímida e estranha, mas exerce um poder magnético sobre Siss. de carácter aparentemente oposto, atraem-se e perturbam-se, até à noite de sonho em que trocam segredos e selam um pacto, um laço tão inquebrável quanto inexplicável.

No dia seguinte, envergonhada pela sua nova intimidade com Siss, Unn falta às aulas e afasta-se da aldeia para ir ver o fenómeno a que os colegas chamam palácio de gelo: uma cascata congelada transformada numa estrutura fantástica de paredes translúcidas, torres brilhantes, corredores labirínticos e câmaras secretas… e nunca mais é vista.

O desaparecimento misterioso de Unn despedaça o mundo de Siss. Contra o tempo e o esquecimento, irá procurá-la e lutar para manter viva a memória da amiga que conheceu tão brevemente.

Clássico intemporal da literatura escandinava, este é um romance sobre despertares emocionais, sobre sonhos e desejos, sobre perda e tristeza, onde a profunda compreensão da psique humana nos é transmitida numa linguagem poética e simbólica que está entre as realizações mais memoráveis da literatura moderna.

Com O Palácio de Gelo, Vesaas tornou-se o primeiro escritor norueguês a receber o Prémio de Literatura do Conselho Nórdico, que destacou «o estilo sensível que transforma realidades interiores numa visão sublime da solidão humana e da busca por companhia».

Críticas
«Vesaas influenciou, sem dúvida, a minha escrita.»
Jon Fosse

«Surpreende-me que não seja o livro mais famoso do mundo.»
Max Porter

quarta-feira, 2 de abril de 2025

NAQUELE DIA, de LAURA ALCOBA | DOM QUIXOTE

Naquele Dia, Griselda acordou com uma dor de cabeça insuportável e não se conseguiu levantar da cama. Teve de ser Flavia, a filha de seis anos, a lembrá-la de que tinha de ir para a escola. A mãe levou-a a custo e, já em casa - quiçá compensando a frustração de na adolescência a terem proibido de pintar -, sentou-se ao espelho e maquilhou-se exageradamente, enquanto os filhos pequenos brincavam por ali. Mas a dor persistiu e, quando abriu a porta para dizer ao marido que não se estava a sentir bem, Claudio despachou-a encolhendo os ombros (detestava vê-la com a cara esborratada). Não sabia, quando voltou para casa, a surpresa avassaladora que o esperava.

Griselda e Claudio, argentinos fugidos da ditadura e exilados em França, eram porteiros de uma escola onde a autora deste livro, sua conterrânea, chegou a visitá-los quando era criança; e foi com a recordação da sua incredulidade perante os factos acontecidos naquele dia que, mais de trinta anos depois, resolveu contar esta história improvável e entrevistar todos os implicados: Griselda, Claudio, Flavia, a professora, até a advogada... E é pelas vozes de todas essas pessoas que saberemos como uma mulher que passou por tantos contratempos e desgostos desde a infância se tornou um monstro naquele dia e, ainda assim, uma mãe amorosa nas palavras da filha.

Baseado numa história verdadeira acontecida nos anos oitenta, este é o relato incrível das causas e consequências de um ato inominável e da forma como por vezes basta uma palavra para desviar alguém do seu destino.
 

terça-feira, 1 de abril de 2025

AUTORES INTERNACIONAIS | SELVA ALMADA


Selva Almada nasceu em Entre Ríos, Argentina, em 1973, e é considerada uma das vozes mais originais e poderosas da literatura latino-americana. Com uma obra traduzida em inúmeras línguas, recebeu rasgados elogios logo com o seu primeiro romance, El viento que arrasa (2012), considerado o melhor livro do ano no momento da publicação, e vencedor do First Book Award no Festival Internacional do Livro de Edimburgo, em 2019. Ladrilleros (2013), o seu segundo romance, foi finalista do Prémio Tigre Juan (Espanha), e Raparigas Mortas (2014) foi finalista do Prémio Rodolfo Walsh, da Semana Negra de Gijón (Espanha), para a melhor obra de não ficção de género negro. É ainda autora de um livro de poesia e de livros de contos.

Não é Um Rio (2020) foi distinguido com o Prémio IILA-Letteratura 2023 (Itália) e foi finalista do IV Prémio Bienal de Romance Mario Vargas Llosa (2021), do Prémio Fundación Medifé Filba 2021 (Argentina) e recebeu ainda uma menção especial no Prémio Nacional de Romance Sara Gallardo 2021 (Argentina). Em 2024, foi finalista do Prémio Booker Internacional.

segunda-feira, 31 de março de 2025

NÃO É UM RIO, de SELVA ALMADA | DOM QUIXOTE

Tão perturbador e intenso como um sonho profético, Não É um Rio é um romance magistral sobre masculinidade, culpa e desejo irreprimível, mas também sobre o amor entre amigos e o amor dos ilhéus pelo seu rio e tudo o que nele vive.

Enero e o Negro vão à pesca com Tilo - o filho adolescente de Eusébio, o amigo que morreu -, regressando à ilha onde costumam ir há anos, apesar da memória de um terrível acidente ali ocorrido. Enquanto bebem, cozinham, falam e dançam, lutam com os fantasmas do passado e do presente, que se confundem no ânimo alterado pelo vinho e pelo torpor.

Uma rede mistura realidade e sonho, factos e conjeturas, ilhéus, água, noite, fogo, peixes, bichos. Os três são intrusos, e este momento íntimo e peculiar coloca-os em desacordo com os habitantes - humanos e não humanos - deste universo natural rodeado de água e regido pelas suas próprias leis. Há perdas, mortes prematuras… Mas há também a vitalidade obstinada da natureza. Quando a floresta se começar a fechar sobre eles, e a violência parecer inevitável, será que outra tragédia está destinada a ocorrer?

Humano, mas ao mesmo tempo animal e vegetal, este romance flui como um rio, uma longa conversa ou o afeto entre seres que se amam: mães, filhos, irmãos, amigos, amantes, afilhados.

Com a sua prosa precisa e económica, e a sua extraordinária sensibilidade, Selva Almada mostra novamente porque é considerada uma das vozes mais originais da atual literatura latino-americana
 

domingo, 30 de março de 2025

INVENTÁRIO DE SONHOS, de CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE | DOM QUIXOTE

O mais aguardado acontecimento literário do ano — o novo, arrebatador e sublime romance de Chimamanda Ngozi Adichie — conta-nos a história de quatro mulheres através dos seus amores, medos e ambições.

Chiamaka é uma escritora nigeriana a viver nos Estados Unidos. Sozinha em plena pandemia, relembra amores antigos e confronta-se com as escolhas que fez e os arrependimentos que carrega. A sua melhor amiga, Zikora, é uma advogada de sucesso que recorre ao apoio de uma pessoa improvável após uma traição devastadora. A sua prima, Omelogor - figura proeminente no mundo da alta finança na Nigéria -, direciona a ousadia pela qual é famosa para si própria e começa a questionar o quanto realmente se conhece. E Kadiatou, a sua empregada doméstica, que está a criar a filha com orgulho e tenacidade nos Estados Unidos, não consegue evitar um acontecimento dramático que ameaça tudo aquilo que conquistou.

Em Inventário de Sonhos, Chimamanda Ngozi Adichie foca o seu olhar perspicaz nestas mulheres, num romance fulgurante que aborda a própria essência do amor. Será a felicidade alcançável, ou é apenas um estado efémero? E quão honestos precisamos de ser connosco mesmos para amarmos e sermos amados?

Uma reflexão contundente sobre as escolhas que fazemos e as que nos são impostas, sobre mães e filhas, sobre o nosso mundo e o dos outros, Inventário de Sonhos pulsa com urgência emotiva e observações implacáveis sobre o coração humano, numa linguagem que deslumbra pela sua beleza e poder. Este romance confirma o estatuto de Chimamanda Ngozi Adichie como uma das escritoras mais relevantes da atualidade.
 

sábado, 29 de março de 2025

QUEM TEM MEDO DOS SANTOS DA CASA, de SARA DUARTE BRANDÃO | DOM QUIXOTE

Esta é a história de Maria Teresa, uma mulher que cresceu numa pequena vila piscatória entre a austeridade familiar e a liberdade que encontrava nos livros e numa paixão clandestina. Condenada a viver à sombra do que o pai e o marido haviam sonhado para ela, resolveu pôr em causa as ordens e as tradições, tomar as rédeas do seu destino, deixar para trás uma vida de conforto e atravessar o rio em busca de emancipação.

Hoje encontramo-la a tecer tapetes numa casa escura que ninguém sabe o que esconde e é considerada uma espécie de bruxa que assusta as crianças; porém, é numa amizade improvável com Joana, uma menina que aprende com ela a amar os livros, que Maria Teresa encontrará a redenção.

Com um ritmo poético e introspetivo, a narrativa desenrola-se em pequenos fragmentos belíssimos que refletem as superstições de uma comunidade marcada por um episódio com consequências dramáticas. Mas onde todos veem horror Maria Teresa vê beleza e possibilidade. Terão, ela e Joana, medo dos santos da casa?

Romance inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, que foram retirados da Igreja de São Pedro da Afurada, é na ficção que esta obra desafia algumas verdades.
 

sexta-feira, 28 de março de 2025

AUTORES NACIONAIS | JOANA GENTIL MARTINS

Joana Gentil Martins é psicóloga clínica, licenciada pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa, mestre em Psicologia Aplicada pela Universidade do Minho e especializada em terapias cognitivo-comportamentais com adultos. É membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses e formadora certificada.

Joana Gentil Martins vem de uma família em que o valor de ajudar o próximo esteve sempre em primeiro lugar, e por isso rege a sua prática com esse valor de base, acreditando que cada pessoa é única e merece o melhor tratamento possível. Acredita que a dedicação, a forma como tratamos o outro, a ética e o estudo constante de cada caso são as características principais de um bom profissional.

Atende portugueses em qualquer parte do mundo através de consultas online e dinamizando cursos online, que já ajudaram centenas de mulheres. Decidiu começar a divulgar informações fidedignas e úteis sobre saúde mental de forma prática através da sua página de Instagram, estando também presente noutras redes sociais, pois acredita que a saúde mental deve ser acessível a todos. Encara a psicologia não apenas como uma profissão, mas sobretudo como uma missão.